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quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Fábrica de sonhos

Fábrica de sonhos
Luciano Palm
         Quantos erros companheiros, quantos sonhos soltos, avulsos, convulsos, perdidos neste espaço cinza destes tempos inglórios. Memórias companheiros, tenho de um passado sem lugar em nossos peitos, arte, amor, guerra e paz. Latim rebuscado que faz memorar-te significar recuperar pelo coração! Mas não faz coração algum recuperar campos inférteis dos quais brotam apenas lágrimas de sangue daqueles que lamentam por não terem mais o que lamentar.
          Andam sozinhos, esquecendo seus pares, descolados da terra que um dia os pariu companheiros, são híbridos de gente e máquina, triturados pelo lucro somado do prejuízo banhado pelo suor operário. E esta história companheiro, que se abre diante dos nossos cegos olhos como um catálogo de vergonhas e equívocos, que mais vale esquecer, para não ficarmos rubros diante dos pequenos que temos que inflar de esperanças para continuar confiantes rumo a um amanhã incerto.
         Contudo, que o amanhã seja o alvorecer de uma nova aurora e não o ocaso dos tempos. Assim, esqueçamos deste EU gigante, egoísta e arrogante que habita nossos estômagos famintos de estarem empanturrados. Os excessos companheiros, são os males daqueles que só sabem pedir e jamais agradecer, são a desgraça dos olhos GRANDES que só sabem invejar e nunca admirar, são a perdição das mãos que só aprenderam a saquear e nunca dividir, agredir e jamais acariciar.
          Vossa medida do bom e do ruim companheiros, não está naquilo que vos agrada, ms naquilo que causa a cobiça do próximo. Não conseguem ter sequer um gosto próprio e autônomo companheiros, que vergonha, só sabem olhar para si próprios através dos olhares alheios. Que vergonha, aprenderam a andar eretos mas continuam a rastejar feito vermes, evoluiram tanto, para continuarem abraçados e equiparados aos macacos.
           Quando a satisfação e o bem-estar do próximo puderem também ser sua própria satisfação e bem-estar; e não a frustração e o motivo de sua cobiça e inveja, neste momento teremos ido mais longe, muito mais longe do que ter chegado a lua ou qualquer outro longínquo lugar. Somos iguais em desgraça, nos diferenciamos por teimosia, orgulho e sobrevivência, mas por um momento fiquemos juntos... misturados, confusos, mas felizes e fortes, de mãos dadas num alvorecer.

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